quinta-feira, 3 de abril de 2014

História ambiental da Taquara pelo Colégio Estadual Brigadeiro Schorcht

Por Maria Claudia Ribeiro

Como chegamos aqui?

Taquara Iniciou seu povoamento no século XVIII e sua urbanização efetiva se deu na década de 70. O nome do bairro é originário de uma espécie de bambu utilizado para fabricar cestos, outrora existente em grande quantidade na região, onde foi erguida a sede da Fazenda da Taquara, em 1757, propriedade da família do Barão da Taquara, existente até hoje.

Por causa de seu clima ameno, saudável e agradável instalaram-se então aqui hospitais especializados em tuberculose e hanseníase. Moradores relatam que Jacarepaguá era a Petrópolis da cidade do Rio de Janeiro. Por isso, Dom Pedro II se hospedou durante dois meses, de novembro a dezembro de 1843, na Fazenda da Taquara. O objetivo era cuidar da saúde da princesa Dona januária, já que a região era considerada um local propício para tratamento de doenças em decorrência do seu ar puro. A atual Estrada dos Bandeirantes originou-se dos diversos caminhos abertos ao longo dos tempos em que surgiram as primeiras fazendas e engenhos.

O comércio era muito pequeno. As casas da época ao estilo português, deram espaço às grandes lojas do comércio do centro da Taquara.

Nossa escola foi fundada há 57 anos. Sua fama se iniciou com o trabalho da Professora Henriette de Hollanda Amado, esposa de Gilson Amado (irmão do escritor Jorge Amado). Em seu livro de memórias, Henriette, conta sua experiência na educação vivenciada no CEBS, e que eram os próprios alunos que cuidavam do jardim que havia no pátio que hoje é apenas concreto sem vida. A localização do CEBS ao lado da Granja Paraíso vem confirmar que Taquara era um bairro rural.

Como estamos hoje?

Notamos uma tendência na urbanização em exterminar os espaços verdes que podem coexistir ao ambiente urbano. O bairro tornou-se mais quente, pois perdeu centenas de árvores devido ao boom imobiliário a partir de 2000 e também devido a obras do BRT na Estrada dos Bandeirantes que possuía árvores centenárias, sem que houvesse o replantio de novas mudas. O ar fresco deu lugar a particulados de poluição devido ao desmatamento urbano e o tráfego caótico de automóveis. O Rio Grande, que corta o centro do bairro, até a década de 70 era repleto de garças que vinham se alimentar de peixes. Hoje os rios mais próximos, Rio Grande e Rio Guerenguê são poluídos pelos moradores que não possuem sistema de esgoto o despejam diretamente nos rios da região. Há especulações de que as indústrias localizadas no bairro também poluem os rios da região.

Onde queremos chegar? 

O tempo passou e hoje contamos com o apoio da atual Diretora Neide Aparecida de Sousa, que está sempre a contribuir com as questões socioambientais.

É mister que lutemos por um bairro melhor e sustentável. O progresso deve coexistir com a natureza e isso inclui a preservação dos rios da região e o reflorestamento urbano para que os moradores tenham qualidade de vida e consequentemente sejam mais saudáveis física e mentalmente.

É através da educação e a informação que podemos transformar e exigir nossos direitos como cidadãos, sem esquecer que a união da população deve existir com um objetivo comum: um bairro planejado.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Novas fronteiras para a educação no século XXI


O que explica o bom desempenho de um aluno na escola? E por que alguns jovens de um mesmo grupo social, no futuro, se tornam adultos bem-sucedidos, enquanto outros não? Essas são perguntas sem respostas simples ou consensuais.

Uma das explicações possíveis está no papel da inteligência: jovens com maior capacidade cognitiva aprendem melhor e, dessa maneira, vão tirar as maiores notas em testes, passar no Enem e nos vestibulares, estudar numa boa faculdade e conseguir melhores empregos. As boas escolas, seguindo essa linha de raciocínio, seriam aquelas que preparam seus estudantes para esses desafios. Como consequência, são também as mais bem colocadas em rankings elaborados a partir de avaliações como o Enem.

Esta visão, no entanto, é bastante criticada por educadores que defendem que o papel da escola é muito mais amplo do que apenas ensinar as disciplinas tradicionais. O problema é que os instrumentos que hoje utilizamos para avaliar a qualidade do ensino medem justamente apenas essa dimensão: o desempenho em testes de leitura, matemática e outras disciplinas. Esses exames não conseguem medir habilidades que estudos acadêmicos têm provado que são tão ou mais importantes para explicar o sucesso na vida adulta quanto a nota em testes.

São, principalmente, traços da personalidade, como a capacidade de persistir na busca de objetivos, superando fracassos e obstáculos; saber se relacionar e trabalhar bem em grupo; ter responsabilidade e saber se organizar para concluir tarefas; além de ter controle das próprias emoções, de modo a manter o otimismo, a calma, a confiança e a motivação, mesmo em situações adversas.

A constatação de que esses traços de personalidade são importantes não chega a ser surpreendente. O que há de novo nos debates educacionais é que essas habilidades, que muitos acreditavam ser inatas, podem ser ensinadas e avaliadas em sala de aula. A grande questão, para a qual ainda não há consenso, é como fazer isso.

Temos evidências de que essas habilidades são mais bem trabalhadas desde cedo, com uma preocupação importante de ajudar os pais a cuidarem melhor de seus filhos, de modo a diminuir  o estresse nos primeiros anos de vida, que tem se mostrado danoso ao desenvolvimento de habilidades como o controle das emoções. Esses programas precisam ser expandidos. Mas o fato é que ainda estamos aprendendo  como sistematizar e replicar  essas experiências bem-sucedidas.

Se avançarmos na maneira como ensinamos habilidades não cognitivas - melhorando a habilidade dos estudantes para persistir em tarefas difíceis, controlar seus impulsos, focar na resolução de um problema sem perder o foco ou ficar frustado, superar obstáculos -, estaremos facilitando, e não dificultando, que esses estudantes tenham melhor desempenho em disciplinas tradicionais.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

América de cabo a rabo

Por Fernanda de Castro Lima

Três homens saíram do Brasil em abril de 1928, rumo aos EUA pilotando um Ford Modelo T  - o popular Ford Bigode, o fusquinha de seu tempo -, para cruzar 15 países e percorrer 28 mil km. Seu sonho é unir as três Américas ao rasgar uma estrada entre elas. A missão logo se mostraria muito mais dura, sofrida e perigosa do que elos podiam imaginar.


Ainda em território brasileiro  - estavam perdidos havia dias no Pantanal matogrossense -, uma onça atacou 3 cães  que caminhavam ao lado daqueles estranho objeto sobre rodas. O mecânico Mario Fava, um dos integrantes do trio de aventureiros, atitou no animal. Mesmo ferido, o felino saltou sobre ele e o derrubou. Seu amigo Francisco, com o auxílio de um dos 5 índios que os ajudavam a sair da mata, cravou um facão no crânio do bicho. Atordoada, a onça agora era presa fácil para os cães, que a mataram e comeram.

Essa foi só uma das muitas aventuras da comitiva. A ideia da rodovia surgiu em 1923, na 5º Conferência Internacional dos Estados Americanos, no Chile. Passados 5 anos da reunião, porém, o projeto ainda era considerado impossível. O tenente do Exército Leônidas Borges de Oliveira decidiu provar que era viável, sim, a construção da Carretera Panamericana, como seria chamada a futura obra. Para ajudá-lo, convidou o oficial da Aeronáutica Francisco Lopes da Cruz, amigo que sabia tudo de engenharia. Quando a dupla passou pela região de Pederneiras (SP), o mecânico Mário Fava, que sonhava conhecer os EUA, ofereceu-se para acompanhá-los. E foi.


A façanha é contada pelo historiador Beto Braga no livro O Brasil Através das Três Américas. Ele soube do episódio em 1998, quando morava na Bolívia e conheceu o filho do comandante Oliveira, que lhe mostrou anotações feitas pelo pai. "Foram 8 anos de pesquisas para o livro", diz o autor. A expedição teve apoio financeiro do presidente Washington Luís e patrocínio do jornal O Globo, que doou o carro ao grupo.

Batizado de Brasil, o Ford T saiu do Rio de Janeiro no dia 16 de abril, aplaudido por uma multidão. Em São Paulo, os expedicionários ganharam um reforço: a caminhonete Modelo T, presenteada pelo Jornal do Commercio. O automóvel recebeu o apelido de São Paulo. O primeiro contratempo viria em Bauru (SP): dinheiro, fotos, documentos e a ata da viagem foram roubados. No Mato Grosso, deram de cara com a tal onça-pintada. Quase um ano depois da partida, alcançaram a fronteira paraguaia. Dos 2652 Km percorridos até lá, mais da metade era de trilhas e picadas.


Hóspedes de honra

O Paraguai vivia um momento de forte tensão com a Bolívia. Havia uma disputa pela região do Chaco que se estendia desde a época colonial. A fonteira entre os dois países passava por ali e não era bem definida. A descoberta de gás e petróleo na Bolívia resultaria, 4 anos depois, na guerra mais sangrenta da América no século 20, a Gerra do Chaco. mesmo no centro desse furacão, o presidente paraguaia, José Guggiari, encontrou-se com os brasileiros e os declarou hóspedes de honra.

Recepções com pompa e circunstância, aliás, se repetiram em muitos lugares. Eram acolhidos com festas por autoridades e moradores. Muitos ajudavam na tarefa de abrir caminhos - alguns por vontade própria e outros recrutados pelos exércitos locais. No Peru, o trio encarou um obstáculo colossal: a cordilheira dos Andes. Lá, Mário Fava mostrou ser um sujeito de sorte, pois escapou duas vezes da morte. no dia 21 de outubro de 1929, São Paulo caiu num abismo - ele só sobreviveu porque o automóvel, na queda, ficou preso em uma árvore. oito dias depois, enquanto a Bolsa de Nova York despencava, o carro Brasil também ia precipício abaixo. E o mecânico escapou por pouco outra vez.

Beto Braga considera Fava o grande herói da expedição. Graças a seus conhecimentos, mantinha os carros funcionando mesmo na base do improviso. Na Bolívia, por falta de álcool (combustível do Ford T), o carro foi abastecido com uma bebida indígena feita de milho. na Colômbia, encheram os pneus desgastados com capim  - o que provocou outro acidente que quase esmagou Fava. 

Enquanto o grupo passava pelo Equador, recebeu a notícia de que Getúlio Vargas assumira o poder, com a Revolução de 1930. No Panamá, os carros foram desmontados para cruzar os rios, os viajantes viram, espantados, índios loiros de olhos azuis (homens albinos da tribo dos cunas), encontraram a delegação olímpica brasileira a caminho de lós Angeles e souberam que, no brasil, são paulo tentava derrubar Getúlio e promulgar uma nova Constituição  - era a revolução Constitucionalista de 1932.


Os viajantes e o revolucionário

Na Nicarágua, o grupo encontrou com o guerrilheiro Augusto Sandino. O líder popular pretendia derrotar a ditadura da família Somoza. Mas havia firmado um acordo com o governo e entregara grande parte de suas armas. Vítima de uma armadilha, foi executado. os brasileiros tiraram a última foto do revolucionário, dois dias antes de sua morte. Já durante a passagem pelo México, o comandante oliveira se apaixonou pela médica Maria Buenaventura Gonzáles, que seria sua companheira por toda a vida. enquanto isso, em 1935, o movimento comunista, liderado por luís Carlos prestes, ganhava força no brasil. Mas não o suficiente para derrubar Getúlio.

A ditadura se instaurava no Brasil á medida que os expedicionários cruzavam os EUA. Lá, o grupo se encontrou com Henry Ford, que quis (mas não conseguiu) comprar os valentes carros Brasil e São paulo para tê-los no acervo do museu de sua fábrica. Em Cleveland, os brasileiros precisaram de uma autorização especial para dirigir, que foi assinada pelo "intocável" Eliot Ness, o agente que prendeu Al Capone. Em Washington, foram recebidos por Franklin Roosevelt. O presidente americano entregou uma carta de reconhecimento da nação à expedição. Durante os quase dois anos que passaram nos EUA, a intenção do grupo era persuadir o governo e empresários a investir 100 milhões de dólares na construção da rodovia. Calculava-se que todo o trajeto da Carretera  custaria em torno de 500 milhões de dólares  - os governos de cada país bancariam boa parte dos custos.

Dez anos depois da saída do brasil, os carros e o grupo voltaram de navio para casa. reuniram-se com Getúlio, que lhes homenageou dando o nome da terra natal de cada integrante a ruas do Rio de Janeiro (Bariri, descalvado e Florianópolis). Leônidas foi nomeado cônsul privativo do brasil na Bolívia e ocupou o cargo por mais de 20 anos. Mário Fava, um tempo depois, rumou para o norte, abrindo a estrada Belém-Brasília. O Ford Brasil está hoje no Museu dos Transportes, na capital paulista, e o São Paulo apodrece nos arredores do Museu Ipiranga. Ainda que com trechos improvisados, já existe uma Carretera ligando o norte ao sul do continente, do Alasca (EUA) à patagônia, no sul do Chile e Ushuaia, na Argentina. O primeiro país a concluir a obra foi o México, em 1950. O trecho da estrada que deveria ser construído no brasil até hoje não saiu do papel.



1. BRASIL
Ao som da Banda Marcial e do burburinho da multidão em frente à sede do jornal O Globo, no rio de Janeiro, o tenente Oliveira, o engenheiro Lopes da Cruz e o mecânico Mario Fava partem em um Ford T no dia 16 de abril de 1928 para descobrir, percorres e projetar uma estrada que ligaria as Américas. A Expedição Brasileira de Estudos da Carretera Panamericana é recebida em Petrópolis pelo presidente Washington Luís. Em São Paulo, ganham uma caminhonete modelo T. No dia 2 de fevereiro de 1929, eles chegam ao último ponto do Brasil na rota, em Ponta Porã (PR).

2. PARAGUAI

Floresta no nordeste: uma tempestade arranca do chão o rancho onde dormiam. Depois de 2 meses viajando dentro da mata, chegam a Villa Rica  - cansados, barbudos, com infecção intestinal e febre.

3. ARGENTINA
As rodovias eram boas e o país vivia uma expansão econômica, o que tornava a ligação entre Buenos Aires e a Carretera conveniente. São recebidos por ministros e têm 3 meses de tranquilidade.

4. BOLÍVIA
Deslumbram-se com a cordilheira dos Andes e com os animais da região  - veem de perto lhamas, vicunhas, alpacas e o gigante condor. Com a ajuda de cães que acompanham a excursão, caçam coelhos para comer.

5. PERU
Tablachaca: Fava escapa por pouco de um acidente grave. Chegam doentes a Andahuailas. Após uma longa convalescença, seguem rumo à cordilheira. Levam 4 meses para atravessá-la.

6. EQUADOR
Azuay: no dia 19 de outubro de 1930, desgovernado, o Ford Brasil rola 100 metros ribanceira abaixo. Fava fica preso nas ferragens. O cachorro Tudor, que acompanhava o grupo morre no acidente.

7. COLÔMBIA
Picadas de insetos formam grandes feridas. Em Cali, o solo dos Andes destrói os pneus, que são enchidos com capim. Na selva de Urabá, os carros cruzam os rios desmontados.

8. PANAMÁ
Colón: a expedição visita o canal do panamá. Cidade do Panamá: o presidente, Ricardo Javané, fica impressionado com o fato de o grupo ter conseguido atravessar de carro a selva de Urabá, um feito inédito.

9. NICARÁGUA
Manágua: o líder guerrilheiro Augusto Sandino recebe a expedição na capital. Ele havia fechado um acordo de paz com o governo, mas foi vítima de uma armação em 21 de fevereiro de 1934. Morreu metralhado.

10. HONDURAS
Em apenas 8 dias, percorrem o trecho hondurenho (187 Km) que faria parte da futura Carretera Panamericana.

11. GUATEMALA
Cidade da Guatemala: os carros são consertados e ganham pneus novos. O presidente, Jorge Ubico, lhes dá uma grande quantia em dinheiro.

12. MÉXICO
Huixtla: são obrigados a atravessar rios sem pontes. Em San Jerônico, Oliveira quase morre por causa de uma infecção intestinal. Na cordilheira do Oaxaca, o trajeto é aberto à custa de força física.

13. ESTADOS UNIDOS
Austin: apresentam o projeto ao prefeito e ao governador. Detroit: Henry Ford faz questão de conhecer os aventureiros e oferece um bom dinheiro para ter os carros Brasil e São Pauno no museu de sua fábrica. Oliveira, Fava e Cruz recusam e seguem viagem. Washington, DC: Franklin Roosevert reconhece a expedição em carta.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Jornada da Estrela: Caminhos e descaminhos da Mata Atlântica


A Mata Atlântica abrangia uma área equivalente a 1.315.460 Km² e estendia-se originalmente ao longo de 17 Estados (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Alagoas, Sergipe, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí).

Hoje, restam 8,5% de remanescentes florestais acima de 100 hectares do que existia originalmente. Somando todos os fragmentos de floresta nativa acima de 3 hectares, temos atualmente 12,5%. É uma das áreas mais ricas  em biodiversidade e mais ameaçadas do planeta e também decretada Reserva da Biosfera pela Unesco e patrimônio Nacional, na Constituição Federal de 1988. A composição original da Mata Atlântica é um mosaico de vegetação definidas como florestas ombrófilas densas, aberta e mista; florestas estacionais decidual e semidecidual; campos de altitude, mangues e restingas.

Vivem na Mata Atlântica atualmente mais de 6% da população brasileira, ou seja, com base no Censo Populacional de 2010 do IBGE, são mais de 118 milhões de habitantes em 3.284 municípios, que correspondem a 59% dos existentes no Brasil. Destes, 2.481 municípios possuem a totalidade dos seus territórios no bioma e mais 803 municípios estão parcialmente inclusos, conforme dados do IBGE.

FONTE: http://www.sosma.org.br/nossa-causa/a-mata-atlantica/

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Algumas sugestões de como criar interesses nos alunos


O professor deve descobrir estratégias, recursos para fazer com que o aluno queira aprender, deve fornecer estímulos para que o aluno se sinta motivado a aprender. Apresentamos algumas sugestões de como criar interesses nos alunos:

1. Propiciar a descoberta. O aluno deve ser desafiado, para que deseje saber, e uma forma de criar este interesse é dar a ele a possibilidade de descobrir.

2. Desenvolver nos alunos uma atitude de investigação, uma atitude que garanta o desejo mais duradouro de saber, de querer saber sempre. Desejar saber deve passar a ser um estilo de vida. Essa atitude pode ser desenvolvida com atividades muitos simples, que começam pelo incentivo à observação da realidade próxima ao aluno - sua vida cotidiana_, os objetos que fazem parte de seu mundo físico e social. essas observações sistematizadas vão gerar dúvidas (por que as coisas são como são?) e aí é preciso investigar, descobrir.

3. Falar sempre em uma linguagem acessível, de fácil compreensão.

4. Os exercícios e tarefas deverão ter um grau adequado de complexidade. Tarefas muito difíceis, que geram fracasso, e tarefas fáceis, que não desafiam, levam à perda do interesse. O aluno não "fica a fim".

5. Compreender a utilidade do que está aprendendo é também fundamental. Não é difícil para o professor estar sempre retomando em suas aulas a importância e utilidade que o conhecimento tem e poderá ter para o aluno. Somos sempre "a fim" de aprender coisas que são úteis e tem sentido para nossa vida.

Ao estimular o aluno, o educador desafia-o sempre, para ele, aprendizagem é também motivação, onde os motivos provocam o interesse para aquilo que vai ser aprendido. É fundamental que o aluno queira dominar alguma competência. O desejo de realização é a própria motivação, assim o professor deve fornecer sempre ao aluno o conhecimento de seus avanços,  captando a atenção do aluno.

A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo, envolvendo aspectos cognitivos, emocionais, orgânicos, psicossociais e culturais. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos, bem como da transferência destes para novas situações.

A estrutura cognitiva do aluno apresenta e correspondem a um percurso de aprendizagem contínuo são fundamentais na aprendizagem de novos conhecimentos. São os conhecimentos que o aluno já possui que influenciam o comportamento do aluno em cada momento, uma vez que disponibiliza os recursos para a aptidão.

É necessário refletir sobre o que é o conhecimento e perceber que é algo de complexo que deve ser entendido como um processo de construção e não como um espelho que reflete a realidade exterior. O professor deve utilizar as estratégias que permitam ao aluno integrar conhecimentos novos, utilizando para tal métodos adequados e um currículo bem estruturado, não esquecendo do papel fundamental que a motivação apresenta neste processo.

As técnicas de incentivo que buscam os motivos para o aluno se tornar motivado, proporcionam uma aula mais efetiva por parte do docente, pois ensinar está relacionado à comunicação. O ensino só tem sentido só tem sentido quando implica na aprendizagem, por isso é necessário conhecer como o professor ensina e entender como o aluno aprende, só assim o processo educativo poderá acontecer e o aluno conseguirá aprender a pensar, a sentir e a agir.

Não há aprendizagem sem motivação, assim um aluno está motivado quando sente necessidade de  aprender o que está sendo tratado. Por meio dessa necessidade, o aluno se dedica às tarefas inerentes até se sentir satisfeito.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A viagem


De fato, o que é verdadeiramente essencial em uma viagem? O desejo de partir, a vertigem da descoberta, a alegria do encontro e, depois, a obsessão do regresso. Não encontramos nenhum grande viajante que não tenha experimentado todos estes sentimentos, sucessivamente. Alguns adiaram mais do que outros, uns foram mais persistentes, quiseram ir mais além, roçaram os limites e o ponto de não regresso. Mas todos eles desesperavam por partir, por encontrar e por voltar.

Uma viagem é sempre, assim e antes de mais nada, uma questão pessoal. Podemos viajar em solitário, a dois, a quatro, até em pequeno grupo. Mas as únicas viagens que contam, que marcam e que vivem conosco para sempre, são aquelas para as quais nos preparamos mentalmente, aquelas que começam por ser interiores, antes de serem exteriores.

As viagens que verdadeiramente me marcaram são aquelas que continuaram depois do regresso – aquelas que continuam a viajar comigo constantemente. E essas, não têm a ver tanto com a trilha que percorri, com o restaurante onde comi ou com a paisagem que vi: têm a ver sobretudo, com o estado de espírito em que me encontrava nessas ocasiões, nas sensações que experimentei, os desejos que tinha, o cansaço ou a calma, o calor do sol no corpo, o aconchego do frio, a paz de espírito e o desejo de ir mais além, ou a tentação de ficar ali para sempre.


Viajar é também um ato de liberdade. Porque viajar é conhecer e todo o conhecimento é uma condição de liberdade. Viajar é descobrir o outro – os seus costumes, as suas tradições, o seu país, a sua paisagem, as suas trilhas, os seus sonhos e as suas ilusões. Viajar é ver as coisas em perspectiva, o nosso mundo e o dos outros. É compreender, apreender, aceitar as diferenças. Por isso, a viagem é o maior antídoto, também, contra a ignorância e contra a autosuficiência, de onde nascem todos os fanatismos e todas as intolerâncias.


Porque o viajante não tem leis, nem credos universais. Ele sabe que o mundo é demasiado vasto para a nossa capacidade de compreensão, que o mundo é demasiado diferente e complexo para ser reduzido a verdades pretensamente universais. Por isso, o verdadeiro viajante não parte com ideias feitas nem sai de casa com o catálogo dos locais a visitar nem a programação detalhada da viagem. Quando se viaja, não se procura, encontra-se.


Nos tempos que correm é difícil, todavia, distinguir um viajante de um turista. No meu conceito romântico e, talvez elitista, a viagem ela deve conter necessariamente uma dose de solidão, de desconforto e de desnorte. Exatamente, o oposto do turismo organizado, que é mais fácil, mais seguro, mais barato e onde, acima de tudo, o que valoriza a viagem é o “convívio” e não a solidão.


Uma viagem dá-nos a conhecer a nós próprios e, muitas vezes, o nosso limite. Dá-nos a conhecer o mundo e os outros, ensinando-nos a entender e a respeitar as diferenças. Desperta o sentido de descoberta, a vontade de conhecimento e de encontro. A viagem ensina-nos a ser responsáveis, solidários, práticos, livres e auto-suficientes.


Enfim, indo além, a literatura de viagem ensina-nos que o mundo conhecido foi descoberto por quem se aventurou a descobri-lo, por quem trocou o conforto, a segurança e a crença de que o centro do mundo somos nós e o nosso lugar, pela curiosidade de ver o que havia para além e pelo prazer de dar testemunho da descoberta. Muito mais do que os conquistadores e muito mais do que os governantes, o mundo que temos foi-nos trazido e dado a descobrir e a desfrutar pelos viajantes.


Elias Luiz

Editor do portal Extremos
www.extremos.com.br

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Um ano da Expedição "Jornada da Estrela: Expedição Cone Sul"


Estamos comemorando um ano do início da Jornada da Estrela: Expedição Cone Sul e mais uma vez o compromisso dos professores Robson Macedo, Marco Berao e Gilmar Guedes.
Personalizamos o início destas palavras porque sabemos que eles são realmente excepcionais e merecem ser destacados.
Quando eu e toda a equipe de trabalho do Consulado Geral da Argentina no Rio de Janeiro conhecemos o projeto de Jornada da Estrela ficamos fascinados. Ele representava um conjunto de ideais um mais nobre que o outro. E eles estavam se propondo resumir todos eles duma vez.
Dedicação, amizade, compromisso, aventura, formação, amor, progresso... E ainda tem mais.
O interesse do Consulado Geral da Argentina no Rio de Janeiro não veio pela acidental conexão do percurso de um carro que iria atravessar nosso país, mas pela comunhão de princípios e valores entre este projeto e os que queremos que caracterizem a união entre a Argentina e o Brasil.
Ficamos maravilhados com o espírito da travessia e o seu atrevimento. Devemos confessar que em algum momento achamos que poderiam não conseguir. Mas e possível que essa é uma característica comum a todas as empresas ousadas. Conseguir o inacreditável é o que as converte em inesquecíveis e em uma fonte de inspiração.
Robson, Gilmar e Marcos não só foram até o fim do mundo... desde o Rio de Janeiro... e voltaram... em 37 dias... em um carro do ano 1959... alimentado com óleo de fritura... Eles cumpriram com todos seus objetivos. Fizeram amizades em cada ponto que passaram, deixaram uma lembrança em cada pessoa que conheceram. E compartiram cada paisagem que admiraram.
Voltaram e continuaram trabalhando até ser reconhecidos por todo o mundo pelo que tinham conseguido. Hoje, são um exemplo e merecem toda a admiração que recebem.
Sentimos um pouco de inveja “boa” dos alunos que tem a sorte de contar com professores que estão dispostos a fazer o que eles fizeram. Hoje queremos também enviar para eles a mensagem de que saibam aproveitar isso. Tem esta exposição como advertência. Para lembrar que os sonhos são para ser cumpridos e que sempre terão um ajuda nesse caminho se visam alcançá-los pela via dos valores destes três professores do Colégio Brigadeiro Schorcht.

Sebastián D'Alessio
Consul Adjunto

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Motivação na escola

A motivação é um processo que se dá no interior do sujeito, estando, entretanto, intimamente ligado às relações de troca que o mesmo estabelece com o meio, principalmente, seus professores e colegas. Nas situações escolares, o interesse é indispensável para que o aluno tenha motivos de ação no sentido de apropriar-se do conhecimento.

A motivação é um fator que deve ser equacionado no contexto da educação, ciência e tecnologia, tendo grande importância na análise do processo educativo. A motivação apresenta-se como o aspecto dinâmico da ação: é o que leva o sujeito a agir, ou seja, o que o leva a iniciar uma ação, a orientá-la em função de certos objetivos, a decidir a sua continuidade e o seu termo.

A motivação é, portanto, o processo que mobiliza o organismo para a ação, a partir de uma relação estabelecida entre o ambiente, a necessidade e o objeto de satisfação. Isso significa que, na base da motivação, está sempre um organismo que apresenta uma necessidade, um desejo, uma intenção, um interesse, uma vontade ou uma predisposição para agir. A motivação está também incluído o ambiente que estimula o organismo e que oferece o objeto de satisfação. E, por fim, na motivação está incluído o objeto que aparece como a possibilidade de satisfação da necessidade.

Uma das grandes virtudes da motivação é melhorar a atenção e a concentração, nessa perspectiva pode-se dizer que a motivação é a força que move o sujeito a realizar atividades. Ao sentir-se motivado o indivíduo  tem vontade de fazer alguma coisa e se torna capaz de manter o esforço necessário durante o tempo necessário para atingir o objetivo proposto.

A preocupação do ensino tem sido a de criar condições tais que o aluno "fique a fim" de aprender. Diante desse contexto percebe-se que a motivação deve ser considerada pelos professores de forma cuidadosa, procurando mobilizar as capacidades e potencialidades dos alunos a este nível.

Torna-se tarefa primordial do professor identificar e aproveitar aquilo que atrai o aluno, aquilo do ele gosta, como modo de privilegiar seus interesses. Motivar passa a ser, também um trabalho de atrair, encantar, prender a atenção, seduzir o aluno, utilizando o que ele gosta de fazer como forma de engajá-lo no ensino.

domingo, 17 de novembro de 2013

Secretaria de Estado do Ambiente lança reciclagem de óleo de cozinha usado em escolas


Com apoio crescente de restaurantes e condomínios, programa para transformar óleo vegetal em COV (combustível de óleo vegetal) e sabão chega a dez colégio públicos. Com a distribuição de funis e a instalação de um ecoponto para o recolhimento de óleo de cozinha usado, no Colégio Estadual Brigadeiro Schorcht, na Taquara, a Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) lançam na segunda-feira, 18 de novembro, o Programa Prove nas Escolas.

O Programa de Reaproveitamento de Óleo Vegetal (prove) visa a estimular a cadeia da reciclagem de óleo de cozinha usado como matéria-prima na produção de COV e de sabão.

Contando com o apoio crescente de restaurantes, hotéis e condomínios, entre outros, o Prove está chegando agora nas escolas públicas: inicialmente, dez colégios se tornarão ecopontos de recolhimento de óleo vegetal.

O secretário do Ambiente, Carlos Minc, participará do participará do lançamento do Prove no Colégio Estadual Brigadeiro Schorcht, que foi escolhido para a instalação do primeiro ecoponto devido ao seu simbolismo: três professores modificaram uma antiga Mercedes-Benz movida a diesel para que funcionasse à base de óleo vegetal.

Num efeito demonstrativo das potencialidades do uso de óleo de cozinha reciclado na produção de COV (biodiesel), as escolas que aderiram ao Prove servirão de pontos de parada e abastecimento do carro.


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Dia do professor sem festa

Há 50 anos, o então presidente da República, João Goulart, decidiu prestar homenagem a todos os mestres do Brasil decretando 15 de outubro como o Dia do Professor. O ato instituiu feriado escolar nacional. A intenção era promover solenidades em que se enaltecesse a função do mestre na sociedade, com a participação de alunos e suas famílias.

Meio século depois, os profissionais de educação não têm muito o que comemorar. Em meio a greves que se arrastam por meses e sem soluções à vista para os impasses que ameaça o ano eletivo nas redes municipais e estaduais, a educação pública enfrenta uma de suas piores crises.

De acordo com pesquisa mundial que mediu o status dos docentes em 21 países e colocou o Brasil na penúltima posição, 45% dos brasileiros não encorajariam seus filhos a serem professores.

Na terra dos Tigres Asiáticos, onde o magistério está no topo das profissões mais respeitadas, ex-alunos costumam celebrar o Dia do Professor enviando cartão ou levando presentes na casa de antigos mestres.

É assim na China e na Coreia do Sul, que expressam gratidão a seus professores nos dias 28 de setembro e 15 de maio, respectivamente. Gestos que ilustram p motivo pelo qual os dois países ocupam o primeiro e segundo lugares no Pisa, Programa de Avaliação Internacional de Estudantes, que mede os conhecimentos em Português, Matemática e Ciências.

Por aqui, décadas de descaso levaram o país para a lanterna do ranking global do ensino de qualidade. Entre os 65 países pesquisados, o Brasil está na 53ª posição.

Por Flávio Araújo


quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Merenda, diploma e bala de borracha

Por João Batista Damasceno

A truculência da polícia do estado contra professores é apenas uma das que se praticam contra a sociedade. É forma de impedir que floresça, na primavera, o projeto dos educadores, que não é apenas salário, mas educação pública de qualidade, coisa que governos subordinados aos interesses dos "senhores de engenho contemporâneo" não aceitam. E não poderiam aceitar, pois contrapõe aos seus interesses.

O educador Paulo freire disse que "seria atitude muito ingênua esperar que a classe dominante desenvolvesse uma educação de forma que permitissem aos dominados perceberem as injustiças sociais de forma crítica".

Quando o coronel Jarbas Passarinho era ministro da Educação de Médici, Lauro de Oliveira Lima escreveu um livro com o sugestivo nome de "Estórias da educação no brasil: de Pombal a Passarinho". A questão sempre foi: quem dirigirá a Educação, quem serão os educadores, quem será educado e para que se educará? No Império e República Velha os filhos da elite eram formados pela Igreja ou em escolas europeias, para onde iam a fim de se socializarem para o colonialismo cultural.

A Revolução de 30 retomou o dilema: quem educará os filhos do povo no país em transformação? A Igreja pretendeu a função, a fim de formar ao seu modo. Mas Getúlio Vargas optou pela educação pública, republicana e única capaz de formar cidadãos com valores comuns, e foram criados Institutos de Educação, escolas diversas e Universidades Federais. O educador Anísio Teixeira desenvolveu projeto educacional, e Darcy Ribeiro também teve o seu papel.

Na atualidade, desmontam-se os direitos dos trabalhadores no Brasil e extinguem a educação pública de qualidade para os seus filhos. Escolas particulares formam grupos e segmentos da elite, com visões particularizadas. É proposital o desmonte do ensino público que formaria cidadãos qualificados, capazes da transformação social. O que os governantes desejam oferecer aos filhos dos trabalhadores não é Educação. Mas apenas merenda e diploma.

João Batista Damasceno é Doutor em Ciência Política pela UFF e juiz de Direito. Membro da Associação Juízes para a Democracia


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Coragem para ter medo

Costumamos nos agarrar ao que é conhecido, a emoções reprisadas, à manutenção do já visto, já feito - raramente arriscamos perder o chão sob nossos pés. Até que alguém dá um salto mortal bem na nossa frente, e não se estatela, ao contrário, se sobressai. É quando dá vontade de ter coragem também. Coragem de sentir medo. E então descobrir que o destino não nos abandonou como parecia. Só estava esperando que a gente se tornasse mais merecedor de seu sorriso.  (Martha Medeiros)

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

A importância da motivação no processo de aprendizagem

Por Sandra Vaz de Lima

O processo de aprendizagem é pessoal, sendo resultado de construção e experiências passadas que influenciam as aprendizagens futuras. Dessa forma a aprendizagem numa perspectiva cognitivo-construtivista é como uma construção pessoal resultante de um processo experimental, interior à pessoa e que se manifesta por uma modificação de comportamento.

Ao aprender o sujeito acrescenta aos conhecimentos que possui novos conhecimentos, fazendo ligações àqueles já existentes. E durante o seu trajeto educativo tem a possibilidade de adquirir uma estrutura cognitiva clara, estável e organizada de forma adequada, tendo a vantagem de poder consolidar conhecimentos novos, complementares e relacionados de alguma forma.

A aprendizagem está envolvida em múltiplos fatores, que se implicam mutuamente e que embora possamos analisá-los separadamente, fazem parte de um todo que depende, quer na sua natureza, quer na sua qualidade, de uma série de condições internas e externas ao sujeito.

A aprendizagem é um fenômeno extremamente complexo, envolvendo aspectos cognitivos, emocionais, orgânicos, psicossociais e culturais. A aprendizagem é resultante do desenvolvimento de aptidões e de conhecimentos, bem como da transferência destes para novas situações.

A abordagem cognitivista diferencia a aprendizagem mecânica da aprendizagem significativa. A aprendizagem mecânica refere-se à aprendizagem de novas informações com pouca ou nenhuma associação com conceitos já existentes na estrutura cognitiva. Já a aprendizagem significativa processa-se quando um novo conteúdo (idéias ou informações, relaciona-se com conceitos relevantes, claros e disponíveis na estrutura cognitiva, senso assim assimilado.

O principal objetivo da educação é o de levar o aluno com um certo nível inicial a atingir um determinado nível final. Se conseguir fazer com que o aluno passe de um nível para outro, então terá registrado um processo de aprendizagem.

Cabe aos educadores proporcionar situações de interação tais, que despertem no educando motivação para interação com o objeto do conhecimento, com seus colegas e com os próprios professores.

Porque, mesmo que a aprendizagem ocorra na intimidade do sujeito, o processo de construção do conhecimento dá-se na diversidade e na qualidade das suas interações. Por isso a ação educativa da escola deve propiciar ao aluno oportunidades para que esse seja induzido a um esforço intencional, visando resultados esperados e compreendidos.

É necessário refletir que cada indivíduo apresenta um conjunto de estratégias que cada indivíduo apresenta um conjunto de estratégias cognitivas que mobilizam o processo de aprendizagem  Em outras palavras, cada pessoa aprende a seu modo, estilo e ritmo. Embora haja discordâncias entre os estudiosos, estes são quatro categorias representativas dos estilos de aprendizagem.

O conhecimento pode ainda ser aprendido como um processo ou como um produto. Quando nos referimos a uma acumulação de teorias, idéias e conceitos o conhecimento surge como um produto resultante dessas aprendizagens, mas como todo produto é indissociável de um processo, podemos então olhar o conhecimento como uma atividade intelectual através da qual é feita a apreensão de algo exterior à pessoa.

No nível social podemos considerar a aprendizagem como um dos pólos do par ensino-aprendizagem, cuja síntese constitui o processo educativo. Tal processo compreende todos os comportamentos dedicados à transmissão da cultura, inclusive os objetivados como instituições que, específica (escola) ou secundariamente (família), promovem a educação. Através dela o sujeito histórico exercita, usa utensílios, fabrica e reza segundo a modalidade própria de seu grupo de pertença.

Assim, na concepção de Vygotsky, o pensamento verbal não é uma forma de comportamento natural e inata, mas é determinado por um processo histórico-cultural e tem propriedades e leis específicas que não podem ser encontradas nas formas naturais de pensamento e fala. Segundo Vygotsky, uma vez admitido o caráter histórico do pensamento verbal, devemos considerá-lo sujeito a todas as premissas do materialismo histórico, que são válidas para qualquer fenômeno histórico na sociedade humana.

Vygotsky diz ainda que o pensamento propriamente dito é gerado pela motivação, isto é, por nossos desejos e necessidades, nossos interesses e emoções. Por trás de cada pensamento há uma tendência afetivo-volitiva. Uma compreensão plena e verdadeira do pensamento de outrem só é possível quando entendemos sua base afetivo-volutiva.


A aprendizagem sempre inclui relações entre as pessoas. A relação do individuo com o mundo está sempre medida pelo outro. Não há como aprender a apreender o mundo se não tivermos o outro, aquele que nos fornece os significados que permitem pensar o mundo a nossa volta. Não há um desenvolvimento pronto e previsto dentro de nós que vai se atualizando conforme o tempo passa ou recebemos influência externa.

Com isso entende-se que o desenvolvimento do indivíduo é um processo que se dá de fora para dentro, sendo que o meio influencia o processo de ensino-aprendizagem. Se a aprendizagem está em função não só da comunicação, mas também do nível de desenvolvimento alcançado, adquire então relevo especial - além da análise do processo de comunicação - análise do modo como o sujeito constrói os conceitos comunicados e, portanto, a análise do modo como o sujeito constrói os conceitos comunicados e, portanto, a análise quantitativa das "estratégias", dos erros, do processo de generalização. Trata-se de compreender como funcionam esses mecanismos mentais que permitem a construção dos conceitos e que se modificam em função do desenvolvimento.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Na Natureza Selvagem

Odeio quando alguém me conta o final de um filme ou livro. Não precisa nem ser uma obra que eu tenho interesse em conhecer! Acho uma deslealdade e um desrespeito com o autor, o diretor, todo mundo envolvido na produção... Tanto trabalho para alguém simplesmente reduzir tudo em poucas sentenças de improviso. Quem cria quer, pelo menos, ser prestigiado.

Não é essa minha intenção com esse texto. Não quero contar a história do filme Na Natureza Selvagem, nem descrever o óbvio, presente em quase todas as resenhas... Que o filme é bom, que o diretor é sensível (o famoso Sean Penn), que a história é muito bem escrita (pelo talentoso Jon Krakauer, autor também do livro No Ar Rarefeito), que o elenco é primoroso, que a trilha sonora é fantástica, que a fotografia é sensacional...

Gostaria de explicar porque gosto tanto deste filme... Por que é muito mais que um filme de um livro, é um filme sobre vários livros e as ideias que eles representam.

Não coincidentemente, eu li todos os principais autores citados no filme: Leon Tolstoi, Jack London e Henry Thoreau. Conhecer o trabalho desses pensadores é essencial para entender a história e a mensagem do filme.  E que me desculpem os iletrados de plantão, que acham que internet e Hollywood bastam!

Mas qual mensagem é essa, afinal?

O mais óbvio, que todo mundo percebe imediatamente, é que o personagem é revoltado com o mundo que o cerca, representado por seus pais. Ele não quer fazer parte da sociedade de consumo, busca a essência da vida e a verdade das coisas, escolhe o caminho comum aos espíritos inquietos: a estrada, o movimento, o mundo.

Mas não qualquer estrada. Não se trata de um road movie, mas de um filme outdoor. Vários passos antes na evolução dos caminhos, já que toda estrada um dia já foi uma trilha. Esse é um filme sobre trilhas, no sentido de "caminhos na natureza". Coincidentemente, minha especialidade.

Leon Tolstoi, Jack London e Henry Thoreau eram espíritos inquietos, criativos, destemidos, que não se contentaram com o mundo que lhes foi apresentado (mesmo em uma bandeja de prata, como aconteceu com os três). Todos eles escolheram o caminho da natureza para buscar suas verdades, cada um no seu estilo, cada um atrás de sua própria verdade. Por que eles se tornaram famosos, respeitados e, como acontece no filme, copiados mesmo séculos depois? Porque a verdade que eles encontraram é universal e, portanto, comum a todos os seres humanos, sempre.

Leon Tolstoi preferiu viver no campo, com mujiques (lavradores russos pré-revolução Bolchevique) e mesmo já sendo um escritor famoso, rico e mundialmente respeitado, humildemente aprendeu muito com os homens da terra. Jack London tentou ser garimpeiro no Alasca e viu a natureza como algo  cheio de humanidade e a humanidade como algo natural. Henry Thoreau enxergou o câncer na sociedade de consumo antes mesmo dela existir como conceito, afastou-se momentaneamente da sociedade e viveu um período recluso, auto-suficiente e alheio a tudo que não fosse natural. Todos os três escreveram excelentes livros que até hoje (como fica claro no filme) influenciam vidas.

O protagonista do filme mistura muito bem esses três autores e suas visões do mundo na sua história. A firme moralidade de Leon Tolstoi, como quando  ele se recusa a seduzir uma linda jovem apaixonada  por ele. A bússola e a intrepidez de Jack London, ao decidir viver sua experiência de contato intenso com a natureza no Alasca ou descer o Rio Colorado em um caiaque. A técnica de Henry Thoreau, ao se preparar para viver de suas próprias e limitadas habilidades e daquilo que a natureza oferecem ser auto-suficiente, independente e autônomo, usando essa experiência como grande aprendizado de vida.

Mas vejo fortes influências religiosas no filme também, ou espirituais, que algumas pessoas vão associar a Jesus Cristo, Buda, Alá ou qualquer outro intérprete oficial dos mistérios da vida. "Felicidade só é verdadeira quando compartilhada", escreve o protagonista do filme nas cenas finais. Tolstoi e Thoreau, cada um ao seu modo, também enxergaram isso. O primeiro fundando uma comunidade "hippie" um século antes do movimento existir, o segundo produzindo livros com "fórmulas" de libertação de uma sociedade de consumo que transforma consumidores também em produtos.

O título do filme (e do livro) traz um excelente resumo filosófico da história: a natureza é selvagem e, portanto, viver nela exige atenção e cuidados especiais. Não somos muito diferentes de qualquer outro animal. O que nos difere dos outros bichos não é necessariamente o que nos separa deles. Somos capazes do raciocínio, mas desde que deixamos de ser caça, não conseguimos abandonar a mentalidade de predador.

Selvagem não é sinônimo de ruim. A natureza não é ruim. Nosso despreparo no convívio com ela é que pode ter consequências indesejáveis e irreversíveis. Isso fica claro no filme. Muita gente pode até acreditar que essa é a mensagem final, a grande moral da história. mas não é.

Viver de acordo com suas verdades e ter sempre a humildade de ser um aprendiz na vida, buscando as verdades mais sutis, com esforço e comprometimento, é uma das grandes mensagens da história. O próprio protagonista do filme diz isso, sem pudor, a outro personagem, já idoso, incitando-o a "voltar a viver". E o velhinho sobe uma montanha na sequência. Essa é outra mensagem importante do filme: no conforto artificial de nossas casas e cidades, longe da "natureza selvagem", não existem verdades universais, tudo é controlado, modificado e vazio de conteúdo.

Viver (e por que não, morrer, já que todos nós caminhamos para esse fim, cada um no seu ritmo) na busca das grandes verdades comuns a todos é viver uma vida rica e completa. Os acomodados não vivem simplesmente "dão expediente na Terra".

Por outro lado, o filme mostra que ideias, ideais, conceitos são tão perigosos quanto a natureza. Ambos podem ser letais. Ambos podem ser implacáveis. Nesse caso, quem é familiarizado com filosofias e religiões orientais, como o budismo, vai sempre lembrar do "Caminho do Meio", da moderação, da leveza a cada passo.

Outra coisa que me impressiona muito no filme é a pesquisa por trás dele... Imagino que Jon Krakauer tenha trabalhado duro como detetive, para costurar toda a trama do enredo, descobrir detalhes das andanças do protagonista da história. Imagino o quanto ele se envolveu com os personagens reais, já que a história é baseada em fatos verídicos. Imagino o quanto ele não aprendeu durante esse processo. Não deve ter sido nada fácil aos pais e à irmã do personagem principal o envolvimento com a produção, tanto do livro quanto do filme. Remoer tanta dor publicamente requer muita coragem, humildade e auto-questionamento.

Guilherme Cavallari

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Estratégias para motivar os alunos

Por Saul Neves

O professor na sala de aula é um líder, pois procura influenciar os seus alunos para que estes se interessem pelas aulas, estejam atentos, participem, apresentem comportamentos adequados e obtenham bons resultados escolares.

Neste contexto, importa analisar que fatores podem permitir aos professores influenciar os seus alunos ou, no mesmo sentido, o que é que leva os alunos a deixarem-se influenciar pelo professor. 

Podemos distinguir quatro grandes fatores de influência dos professores sobre os alunos: o reconhecimento do status do professor pelos alunos; o reconhecimento do professor, através das avaliações e das estratégias de gestão da indisciplina; o reconhecimento pelos alunos da competência do professor nos conhecimentos que este lhes pretende ensinar; o reconhecimento de certas qualidades pessoais e interpessoais no professor, apreciadas pelos alunos, desenvolvendo-se processos de identificação.

No passado, os alunos deixavam-se influenciar pelo professor por aceitarem pacificamente o seu status, por o considerarem competente na área de conhecimentos que devia ensinar e também por lhe reconhecerem poder para recompensar ou punir através das avaliações e das
estratégias de gestão da indisciplina, não sendo postas em causa as decisões tomadas pelo professor a este nível.

Atualmente, devido a múltiplos fatores, muitos alunos não se deixam influenciar pelo professor apenas devido ao fato de ser o “senhor doutor” ou “senhor professor” a sugerir, desvalorizam a escola como fonte de acesso ao saber ou conhecimento, colocando muitas vezes em dúvida a competência do professor, para além deste também ter vindo a perder poder no que diz respeito à capacidade de gestão da aprendizagem e da disciplina dos alunos. Inclusivamente, são freqüentemente contestadas as suas decisões pelos próprios alunos e pelos pais destes, para além de todo o trabalho burocrático exigido ao professor nas situações em que pretende reprovar algum aluno. 

Assim, dos quatro fatores de influência distinguidos, aquele que parece ter maior importância na atualidade é a identificação do aluno com o professor. Isto é, o sucesso do professor junto dos alunos passa muito pelo reconhecimento de certas qualidades pessoais e relacionais no primeiro que os últimos apreciam.

A identificação do aluno com o professor passa muito pela satisfação obtida na relação estabelecida. No entanto, muitas vezes há uma insatisfação recíproca na relação entre os professores e os alunos. Ao verificarmos que o docente privilegia na sua representação dos alunos os aspectos cognitivos, enquanto estes privilegiam na sua representação dos professores os aspectos afetivos e relacionais. Neste sentido, parece haver um “mal-entendido” na relação pedagógica, sendo importante que os professores se aproximem das necessidades relacionais e de desenvolvimento dos alunos, no sentido de os conseguirem influenciar ou motivar para o alcance dos objetivos da educação escolar no plano cognitivo. 

No passado, os alunos tinham que se adaptar aos métodos dos professores, mas atualmente o professor deve procurar ir ao encontro dos interesses e da linguagem dos alunos, sendo flexível (de acordo com o provérbio “professor, se eu não aprendo como tu me ensinas, ensina-me de forma que eu aprenda”) e dando o exemplo (um líder não pode funcionar segundo o princípio “faz o que eu digo e não o que eu faço”).

Para potencializar a criação de “laços” com os alunos e a motivação destes, os professores devem evitar o distanciamento, a “neutralidade afetiva” e o autoritarismo, devendo, ao contrário, fomentar uma “relação de agrado”, caracterizada pelo diálogo, pela negociação e pelo respeito mútuo.

Embora os professores tenham perdido poder nos últimos anos, dificultando a utilização de alguns fatores de influência sobre os alunos que no passado resultavam, continuam a possuir um instrumento fundamental para conseguirem criar laços de identificação com os alunos, influenciando-os: a linguagem utilizada na relação pedagógica, quer verbal, quer não verbal.

Algumas das frases que o professor pode utilizar para uma “relação de agrado” são as seguintes: “devia estar orgulhoso dos seus resultados”, em vez de “estou orgulhoso de você” (no sentido de responsabilizar o aluno pelo seu comportamento, indo ao encontro da sua necessidade de auto-determinação); “está quase lá”, em vez de “está quase tudo errado” ou “não fez nada de certo” (no sentido de promover uma percepção de aperfeiçoamento pessoal e o esforço do aluno); “fiquem à vontade para perguntar sempre que não compreenderem alguma explicação ou queiram apresentar algum comentário relevante”, em vez de “não me interrompam, se tiverem dúvidas perguntem no fim” (no sentido de promover a participação dos alunos e a compreensão e o acompanhamento das explicações do professor).

Também a aprendizagem e a motivação dos alunos depende da identificação destes com o professor. No entanto, verifica-se que muitos alunos apresentam insucesso funcional, isto é, a sua aprendizagem ou saber não corresponde ao que seria de esperar dado o nível de escolaridade, e muitos encontram-se desmotivados relativamente às tarefas escolares. Esta situação constitui um dos principais problemas para os professores. Numa investigação, verificou-se que a maioria dos professores considera que mais de metade dos seus alunos se encontram desmotivados para o estudo, sentindo que, mesmo que queiram, não conseguem resolver este problema.

Com base nestes resultados, não obstante devem ser tomadas medidas que permitam restituir o poder aos professores, nomeadamente serem definidos objetivos mínimos de aprendizagem necessários para que os alunos possam transitar para o ano letivo seguinte e serem tidas em conta as notas obtidas desde o início do percurso escolar dos alunos para o ingresso no ensino
superior, tornando-os mais responsáveis e motivados para aprender logo desde os primeiros anos de escolaridade.