terça-feira, 30 de outubro de 2012

Contagem regressiva

A medida que vai se aproximando a data da expedição (faltam 65 dias) a ansiedade vai aumentando. Estimamos 32 dias de viagem, sem contar atrasos eventuais por algum problema mecânico. A distância a ser percorrida vai em torno de 20.000Km. Faremos uma média de 700km diariamente em um carro com 54 anos e que terá velocidade de "cruzeiro" de 80km.

O carro não tem tecnologias de segurança (ABS e air
bags). O barulho do motor diesel será um incomodo após alguns dias. O cheiro do óleo e o desconforto de horas nas estradas são dificuldades a serem vencidas. No final do dia estaremos acampamento, dormindo em sacos de dormir e preparando nossas refeições... Serão dias estenuantes, mas como diz o poeta, "tudo vale a pena quando a alma não é pequena" (F. Pessoa).

Mesmo com todas essas difuculdades, nosso entusiamos com a jornada é muito grande. Nosso alunos, nosso principal objetivo (motivacional), estão cada vez mais envolvidos. Há um excelente clima de mobilização no colégio estadual Brigadeiro Schorcht. Alguns nos consideram "loucos" por nos embrenhamos em uma aventura como esta. Mas como disse Paulo Freire, "ai daqueles que pararem com sua capacidade de sonhar, de invejar sua coragem de anunciar e denunciar. Ai daqueles que, em lugar de visitar de vez em quando o amanhã pelo profundo engajamento com o hoje, com o aqui e o agora, se atrelarem a um passado de exploração e de rotina."

Nossas dificuldades não são apenas logísticas. Neste momento nossa principal dificuldade são os custos da expedição. Originalmente o projeto estava orçado em R$ 65.000,00. Cortamos todas as despesas possível e o orçamento ficou em R$ 33.000,00. Esta verba é para aquisição de equipamentos, manutenção e reforma do veículo e despesas com a viagem, alimentação e combustível.

Até o momento contamos com nossos investimentos e alguns amigos que estão nos ajudando com pequenas doações em dinheiro. Como o tempo está correndo e não podemos improvisar durante a expedição. Temos que sair do Rio de Janeiro com todo projeto fechado, sem margens de erros. Como o tempo está correndo não podemos deixar para as últimas horas.

"Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo." (P.Freire)
 
 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Chuí

Desde 1851, quando um acordo delimitou as fronteiras com o Uruguai, o arroio do Chuí é o limite extremo sul do Brasil. Até 1995, Chuí era parte de Santa Vitória do Palmar.

Situado no extremo-sul do Brasil, o Chuí é exaltado e conhecido por todo o povo brasileiro por ser o ponto mais meridional do país. É um município recém formado através de um processo emancipacionista realizado no ano de 1995. É uma das principais portas de ingresso aos grandes centros urbanos do Mercosul.

Tudo se inicia com os primeiros visitantes que pisaram desarvorados nas barrancas do Arroio Chuí ante ao naufrágio da nau-capitânia de Martim Afonso de Souza em 1531, passando por vários tratados feitos e desfeitos, sendo o primeiro – o Tratado de Madrid – de 1750 e o segundo – o Tratado de Santo Ildefonso - que transformou o atual município de Santa Vitória do Palmar em campos neutrais até 1814, a fim de amortecer as disputas entre portugueses e espanhóis.

A povoação do Chuí se iniciou com alguns ranchos e casas isoladas, nas voltas da antiga guarda, às margens do Arroio Chuí estabelecida pelo coronel de ordenança Cristóvão Pereira em 1737. Hoje, o único resquício desta antiga guarda, é uma cacimba (cisterna) quase oculta pelos altos pastos do terreno.



No mesmo ano, o brigadeiro José da Silva Paes mandou construir uma fortificação de pedras, o forte de São Miguel, em local estratégico, onde se pode avistar todo o movimento de barcos no Arroio São Miguel.

Em janeiro de 1763, o coronel Thomas Luís Osório, deslocou-se ao sul, construindo um forte, a que deu o nome de Santa Teresa. Hoje, ambos os fortes encontram-se em território uruguaio.

Primeiramente o povoado da zona que se desenvolveu não foi o do Chuí, foi o de 18 de Julio (hoje, cidade uruguaia), onde se localiza o forte de São Miguel, importante ponto turístico da região. Esse povoado enriqueceu graças ao comércio entre os dois países, em especial de contrabando. Os barcos brasileiros chegavam ao porto de Santa Vitória do Palmar, carregando mercadorias como erva, álcool, cachaça, açúcar, fumo e café, que posteriormente eram reembarcados em lanchas menores, e através do arroio São Miguel chegavam ao povoado de 18 de Julio, e daí para todo o Uruguai.

A região onde hoje se encontra o município do Chuí brasileiro ficava na contramão, mas aos poucos, com o crescimento de cidades uruguaias como Castilhos e Rocha e a abertura da Ruta 9, no final da década de 30, o tráfego passou a ser feito pela zona do Chuí.

Por essa razão, aí se construiu um quartel para acantonar um grupo de soldados e um posto alfandegário adido à mesa de rendas federais de Santa Vitória do Palmar.

Nas décadas de 30 e 40, o Chuí uruguaio estabeleceu certa superioridade em todos os aspectos, principalmente no comércio, em relação ao lado brasileiro, ante ao fato de que a região se encontrava isolada do resto do Brasil, sendo mais fácil se chegar a Montevidéu através da Ruta 9.


A partir da década de 60, o governo brasileiro adotou uma política nacional de fazer com que os municípios de fronteira se desenvolvessem economicamente.

Este fato se concretizou com a construção da BR 471 e a vinda de imigrantes palestinos e libaneses na década de 70, passando o comércio do lado brasileiro a se desenvolver intensamente, sendo até hoje a base da economia do município.

A importância histórica dessa região deve-se ao fato de ter sido palco de muitas disputas entre portugueses e espanhóis, até a demarcação final da fronteira extremo-sul do país, que por anos e anos foi flutuante, ora pertencente à Espanha, ora à Portugal, sendo também “território neutro” ou “campos neutrais” por muito tempo. Região esta, que até a inauguração da BR 471, ficou isolada do resto do Brasil, e contra tudo e todos, manteve-se vinculada ao país, pelo forte fio de patriotismo e brasilidade, visto que material e culturalmente, foi-lhe sobremodo adverso manter essa ligação.

Quis o destino, felizmente, estreitar cada vez mais os laços de amizade entre brasileiros e uruguaios, fato claramente observado na Avenida Internacional do Chuí/Chuy, avenida esta que divide os dois países. É importante citar que além da referida avenida, a fronteira é demarcada por quatro marcos, além do arroio Chuí, arroio São Miguel e lagoa Mirim.

No Chuí, é muito forte o sentimento de nacionalidade. Mas a amizade entre os dois povos é tão grande, que se formou uma crença popular que diz que: “Nesta localidade, fronteira e linha divisória, servem sempre para unir as pessoas e nunca separá-las”.

domingo, 28 de outubro de 2012

Expedição



O projeto não é uma viagem de lazer nem de turismo. Durante 32 dias estaremos na estrada, percorrendo em média 700km diariamente em um total que irá ultrapassar 20.000km.

Iremos acampar a maior parte da jornada, comendo na estrada e em acampamentos. O carro será nossa casa por esse período. Ele não dispõe de tecnologias de segurança (ABS e air bags) e viajaremos em velocidade de cruzeiro, média de 80km por hora. A "estrela" desta jornada é uma "jovem senhora" de 54 anos.

Por tudo isso e muito mais o nosso projeto é um expedição. Loucura, ousadia e coragem, como comentou Elyete Macedo, são os lemas desse projeto.
 
Por isso contamos com o apoio e a solidariedade dos amigos e conhecidos, amantes dessas utopias que desejam transformar pequenas ações em grandes realizações.


sábado, 27 de outubro de 2012

Jornada da Estrela

O Projeto “Jornada da Estrela – Expedição Cone Sul”, tem como objetivo motivar alunos e professores do Colégio Estadual Brigadeiro Schorcht (CEBS), com uma expedição que tem como objetivo principal a busca de dados e informações que serão usados para o Programa do Ensino Médio Inovador – ProEMI.
A primeira e mais importante justificativa desta expedição é, sem dúvida, o esforço e o desejo de contribuir nas motivações psicológicas dos nossos alunos, ao perceberem que quem ousa e encontra motivações internas vai mais além, até mesmo “ao fim do mundo”.

Buscamos com a pesquisa proporcionar a reflexão sobre a sustentabilidade. Utilizaremos biocombustível (óleo de fritura) e biodiesel para abastecer o veículo, a Mercedes-Benz 190D Ponton. Nosso propósito é levarmos os alunos à percepção do ensino médio não apenas como mero reprodutor de conhecimentos e sim como produtor de novos conhecimentos, motivando-os às possibilidades no ensino médio, valorizando a abordagem interdisciplinar e transdisciplinar.
Com o projeto iremos elaborar um vídeodocumentário registrando as várias etapas da expedição; montar uma exposição fotográfica com a proposta do projeto e após a expedição outra exposição com o registro fotográfico da jornada; divulgar o projeto nas redes sociais (facebook e blog) para que os alunos acompanhem e contribuam no projeto.

Rede Record

Como eu havia dito, "se não hovuer um contratempo..."  Houve um contratempo (mudança de pauta) e não gravamos ontem a entrevista. A Rede Record ficou de agendar uma nova data. Estamos aguardando.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O projeto "Jornada da Estrela - Expedição Cone Sul" está indo de "vendo em popa". Amanhã (26/10/12), se não houver nenhum contratempo, iremos gravar uma entrevista para a Rede Record. Ainda não sei ao certo para qual programa. Assim que souber estarei divulgando.
Faremos também uma matéria para a página da Secretaria de Educação do Estado.

Valeu o apoio e carinho de vocês.

Vida longa e próspera.


domingo, 21 de outubro de 2012

Querer


Dias inteiros de calmaria, noites de ardentia, dedos no leme e olhos no horizonte, descobri a alegria de transformar distâncias em tempo. Um tempo em que aprendi a entender as coisas do mar, a conversar com as grandes ondas e não discutir com o mau tempo. A transformar o medo em respeito, o respeiro em confiança. Descobri como é bom chegar quando se tem paciência. E para se chegar, onde quer que seja aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão. É preciso, antes de mais nada, querer. 


Amyr Klink  -  Prefácio de Cem dias entre céu e mar

Cartaz 2


sábado, 20 de outubro de 2012

Cartaz 1


Homologado o primeiro carro movido a óleo de cozinha!

Por Ana Echevenguá*

No dia 27/02/07, finalmente, após anos de luta, conseguimos homologar o primeiro veículo nacional a OVN, graças à competente ação judicial promovida pela Dra. Ana Echevenguá - ana@ecoeacao.com.br

Em 1897, o alemão Rudolf Diesel, utilizou óleo de amendoim no seu motor. E afirmou que “Os paises que utilizarem óleos vegetais com meu motor, obterão desenvolvimento sustentável”.

O engenheiro mecânico Thomas Fendel abraçou o projeto de Rudolf. E, há tempos, tentava regularizar junto ao DETRAN a alteração de uma das características de seu veículo automotor. Com pequenas adaptações no motor a diesel, seu carro passou a funcionar movido a OVN - óleo vegetal natural (a mais eficiente espécie do tão falado biocombustível**).

Mas o DETRAN – alegando incapacidade técnica – recusava-se a licenciar seu veículo. Fendel não teve alternativa: requereu ao Poder Judiciário de vários estados autorização para adequar seus veículos ao uso do biocombustível OVN.

Ao analisar o processo, entendeu o juiz Domingos Paludo – da Vara da Fazenda Pública de Florianópolis - que a denegação do pedido na via administrativa, “não tem causa, pois nenhum ato de agente público pode ser praticado no evidente propósito de restringir direito, sem um motivo de Direito que o justifique”.

Além disso, sob a ótica do direito do consumidor, para ele “as leis devem ter sentido produtivo e não destrutivo das economias populares, bem como se devotarem todas e sempre à obtenção do bem comum, não se justificando nenhuma restrição a direito sem causa lícita, ou antes, com causa absolutamente singular, egoística, de proteger as concessionárias em detrimento de todos os consumidores”.

Hoje, Fendel, por força de uma medida concedida, tem o primeiro veículo movido a OVN - óleo vegetal natural – regularizado junto ao DETRAN no Brasil.

Não é brincadeira: o carro de Fendel se movimenta, roda pelas ruas e estradas com o mesmo óleo de cozinha com que se fritam batatas, ovos, peixe... inclusive com óleo usado de fritura, filtrado.
O momento é propício para divulgar esta boa nova porque, embora as discussões sobre os (limpos) combustíveis substitutivos da (suja) gasolina (fóssil) estejam na boca do povo, os nossos governantes só falam e investem no biodiesel que é uma mistura que contém óleo vegetal modificado, desnecessariamente mais caro e oligopolitizado.

Chegou a hora de o Brasil também falar e investir no uso de óleo vegetal puro pois existem vários exemplos de experiências bem sucedidas.  Com seu projeto sustentável em prática, Fendel:

1. obedecendo a postura internacional, contribui para o não aquecimento do planeta porque não está usando combustível fóssil. Ora, será que só um carro movido a OVN pode provocar alteração no efeito estufa? Claro que sim. Especialmente se este exemplo for multiplicado por outros usuários de veículos automotores. Afinal, cada um deve fazer a sua parte, pois os vegetais correspondentes fazem a sua parte muito bem feita, eles seqüestram graciosamente muito mais CO2 da atmosfera, do que o devolvido pelo uso das bioenergias;

2. está contribuindo para o sucesso da agricultura familiar. Cada agricultor poderá ser auto-suficiente na produção do combustível que utiliza e deverá poder vendê-lo livremente;

3. gastará R$ 0,08 para rodar 01 kilômetro. Isso, em relação à gasolina, representa uma economia de R$ R$ 0,16 por kilômetro rodado.

Esta brilhante decisão judicial é uma vitória para a sociedade. E é também uma vitória para o meio ambiente e para o bolso do consumidor!

*Advogada ambientalista, coordenadora do programa televisivo Eco&Ação – Ecologia e Responsabilidade, e-mail: ana@ecoeacao.com.br

**Segundo a Lei 11.097/2005 é “combustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna ou, conforme regulamento, para outro tipo de geração de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil”.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Terra do Fogo

A Terra do Fogo é uma das regiões menos cohecidas da América do Sul. E uma das mais impressionantes também. Estende-se por todo o extremo sul do Chile e da Argentina, onde o continente parece desmanchar-se num grande emaranhado de ilhas e braços de mar. É uma terra de cordilheiras, fiordes e glaciares, habitada por pouco gente e muitos pinguins e elefantes-marinhos. Um lugar que, apesar de inóspito, poder ser explorado confortavelmente a bordo do navio Stella Australis, que faz cruzeiros entre as cidades de Punta Arenas, no Chile, e Ushuaia, na Argentina, entre os meses de outubro e abril.




Projeto Jornada da Estrela

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dia do Professor

“Sou professor a favor da decência contra o despudor, a favor da liberdade contra o autoritarismo, da autoridade contra a licenciosidade, da democracia contra a ditadura de direita ou de esquerda.

Sou professor a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais.

Sou professor contra a ordem capitalista vigente que inventou esta aberração: a miséria na fartura.

Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo.

Sou professor contra o desengano que me consome e imobiliza.

Sou professor a favor da boniteza de minha própria prática, boniteza que dela some se não cuido do saber que devo ensinar, se não brigo por este saber, se não luto pelas condições materiais necessárias sem as quais meu corpo descuidado, corre o risco de se amofinar e já não ser testemunho que deve ser de lutador
pertinaz, que cansa mas não desiste”.

Paulo Freire, mestre de todos nós.
 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Amyr Klink

"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

Amyr Klink


A estrela da jornada

 Mercedes-Benz 180 D Ponton

Há muita controvérsia a respeito do apelido. A mais aceita pelos entusiastas é de que o termo pontonkarosserie seria utilizado para denominar todos os veículos de motor dianteiro e três volumes definidos, um desenho incomum para a época. O novo Mercedes era tão distinto em relação a seu antecessor que o apelido Ponton acabou se consolidando para caracterizar os modelos, fabricados entre 1953 e 1962.


Com desenho totalmente novo, comprimento de 4,45 metros e entreeixos de 2,65 metros, o modelo 180 era oferecido com um motor de quatro cilindros com válvulas laterais, 1,8 litro e 58 cv de potência bruta a 4.000 rpm, que permitia chegar a 125 km/h. Em 1957 era substituído pelo Ponton 180 A, já com comando de válvulas no cabeçote, fabricado por dois anos. O 190, introduzido em 1956, terminava também em 1959.

Nada mais era que o modelo 180 com o motor de 1,9 litro do roadster 190 SL, fabricado entre 1955 e 1963, mas com apenas um carburador simples Solex, no lugar da dupla carburação do modelo esportivo, e 84 cv a 4.800 rpm. Por fora a única diferença era um friso cromado abaixo das janelas laterais. Também era disponível o motor diesel de 1,8 litro, idêntico em diâmetro e curso ao movido a gasolina, mas com apenas 46 cv a 3.500 rpm e máxima de 110 km/h. Fazia do 180 D uma boa e popular opção como táxis — muitos ainda em uso no Líbano e na Síria.

Em 1959 os modelos 180 B e 190 B eram introduzidos, trazendo como novidade a adoção do subchassi dianteiro e sendo fabricados até 1962. Um teto solar Webasto de lona era disponível nas duas versões, sendo mais raro o teto solar em chapa de aço, disponível apenas para os sedãs e cupês de seis cilindros. Existiu até um picape 180 D, em 1957, seguindo o mesmo conceito de nossos modelos derivados de automóveis.

Para os colecionadores, os Pontons mais valiosos são exatamente os modelos de seis cilindros e 2,2 litros (plataformas W105 e W128). As versões começam com o 220 A, fabricado entre 1954 e 1956, substituído pelo 219, de 92 cv a 4.800 rpm, produzido até 1959, ao lado do 220 S. Este desenvolvia 112 cv a 5.000 rpm e atingia 160 km/h. Em 1958 era apresentado o 220 SE, com injeção mecânica de combustível e 130 cv. Estes dois últimos eram disponíveis como cupê ou conversível (plataforma W180).

Os Pontons eram todos fabricados em Sindelfingen, pequena cidade de apenas 23.000 habitantes durante o inicio de sua produção. Destes, 19.000 trabalhavam na fábrica da Mercedes. O produto final era exportado para 136 países, ratificando a qualidade da marca aos olhos do mundo e resgatando a imagem de sofisticação que a estrela de três pontas tivera antes da guerra.

Disponível em http://bestcars.uol.com.br/ph/153b-2.htm
   

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Movido a óleo de cozinha

Motoristas do Primeiro Mundo declaram independência da indústria do petróleo ao abastecerem seus carros com gordura reciclada, mas o aumento da demanda já faz com que donos de restaurante queiram cobrar pelo produto, distribuído gratuitamente até agora

 André Julião


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ATITUDE
O americano Lyle Rudensey enche o tanque de seu carro
com o biodiesel que produz em casa, em Seattle (abaixo)
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Ao ver que o nível do tanque do carro está baixo, o motorista para numa lanchonete e pega o combustível que vai permitir que o veículo ande por quilômetros a fio sem reabastecer. Ele não paga nada por isso – o dono do estabelecimento fica feliz em se livrar de todo aquele óleo usado para fritar batatas e bolinhos. A cena acima já se tornou realidade em alguns países europeus e da América do Norte. Difícil imaginar um jeito mais sustentável de dirigir do que reutilizando um produto que muitas vezes vai parar nos esgotos, entope encanamentos e causa transtornos à população.

Não basta, porém, tirar o óleo da panela e pôr no tanque. Para se tornar biocombustível, a gordura precisa passar por um processo químico. Embora possa ser feito em casa, exige cuidado no manuseio dos ingredientes e tempo do motorista (leia uma das receitas no quadro). O canadense Peter Ferlow, por exemplo, roda até 1.200 quilômetros com sua picape, gastando cerca de R$ 80 e duas horas de trabalho na reciclagem do óleo. O ingrediente vem de um pub da cidade onde mora, Vancouver, no Canadá. Como naquele país é preciso pagar para descartar corretamente esse tipo de resíduo, os donos de estabelecimentos ficam felizes em doá-los aos fabricantes caseiros.
O negócio é tão vantajoso para os motoristas que a demanda por óleo de cozinha usado já está superando a oferta no Canadá. Especialistas preveem que, em pouco tempo, os donos de restaurante vão começar a vender o precioso ingrediente. Quem continua lucrando independentemente disso são os empresários como o britânico Adrian Henson. Pelo equivalente a R$ 1.100, ele vende um kit que produz lotes de 120 litros do combustível. Além de comercializar as máquinas dentro do Reino Unido, ele diz que seu maior mercado é a Grécia, seguida de Sérvia e Espanha, mas que exporta para toda a Europa.
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INCENTIVO
Inglesa abastece carro com óleo reciclado. Produção caseira
de até 2.500 litros por ano é isenta de impostos no país

“Nosso futuro são os mercados emergentes”, disse Henson à ISTOÉ. Ele diz que qualquer cliente brasileiro pode comprar seu equipamento, mas alerta que o custo do transporte é muito alto. Seu negócio ganhou um incentivo do governo do Reino Unido em 2007, quando as leis relacionadas ao combustível feito em casa foram alteradas. Os cidadãos britânicos podem produzir até 2.500 litros por ano, legalmente, sem pagar nenhuma taxa. “Isso permitiu um rápido crescimento desse mercado aqui”, diz o empresário. Ele ressalta, no entanto, que agora há menos óleo de cozinha usado sobrando e não há mais como o mercado interno crescer. Se a moda pegar no Brasil, logo haverá filas na barraca de pastel da feira. Não de gente interessada na fritura, mas no óleo.  
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Publicado em: http://www.istoe.com.br/reportagens/183302_MOVIDO+A+OLEO+DE+COZINHA

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Hoje, 4 de outubro, é comemorado o dia de São Francisco de Assis, padroeiro da ecologia. O projeto "Jornada da Estrela" tem como um de seus objetivos a sustentabilidade, uma das questões centrais no programas ambientais e ecológicos.

Estivemos na Paróquia de São Francisco de Assis, no Rio Comprido, Rio de Janeiro, pedimos as bênçãos de São Francisco. Frei Brás fez uma bela oração para nós.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Pelos alunos da Taquara, eles vão até o ‘fim do mundo’


Professores viajarão ao Cone Sul para despertar 

interesse pelas aulas

Por Leandra Lima
 
Após muito pensarem numa forma de tornar as aulas dos alunos do ensino médio mais atraentes, três professores do Colégio Estadual Brigadeiro Schorcht, na Taquara, criaram um projeto curioso: viajar, de 2 de janeiro a 2 de fevereiro de 2013, pelas principais cidades do Cone Sul a bordo de um Mercedes Benz ano 1959, coletando material e histórias interessantes para serem trabalhados durante o próximo ano letivo com os cerca de dois mil alunos matriculados anualmente neste segmento na escola.

Intitulado “Projeto Expedição Cone Sul”, a viagem resultará na coleta de dados que serão usados para o Programa do Ensino Médio Inovador (ProEMI). A iniciativa é uma estratégia do governo federal de induzir a restruturação dos currículos do ensino médio com a inserção de atividades que os tornem mais dinâmicos.
Robson Silva Macedo, professor de Ensino Religioso; Marco Aurélio Berão, de Biologia; e Gilmar Guedes, de Filosofia; são os idealizadores da viagem. Os três docentes farão um percurso de mais de 25 mil quilômetros, que passará por Foz do Iguaçu, Atacama, Santiago do Chile, Perito Moreno, Ushuaia (conhecida como a Cidade do Fim do Mundo por ser o ponto mais extremo ao sul da América), Buenos Aires e Montevidéu.

Macedo explica que os três estarão empenhados em fazer um banco de imagens composto de 15 mil a 20 mil fotografias, um documentário, e, por fim, um livro com o balanço da viagem e relatos de bastidores:
— Todo o acervo servirá como material pedagógico interdisciplinar e transdisciplinar que poderá ser usado por nós e por outros professores. Também montaremos uma exposição no Brigadeiro Schorcht, e há possibilidade de ela se tornar itinerante.

Mercedes abastecida por óleo de soja e diesel

Gilmar Guedes explica que boa parte do material coletado pelo trio durante a viagem será organizada para apoiar aulas sobre sustentabilidade. Dono do Mercedes, ele diz que o carro é econômico e será abastecido não só com diesel, mas também com óleo de soja recolhido pelos alunos:

— Quando o carro já estiver quente, passamos, por um sistema de chave, a usar o óleo de soja. O motor do carro é de injeção de bomba mecânica, uma tecnologia antiga que permite o uso deste óleo. Só não podemos deixá-lo esfriar na bomba, porque ele é sete vezes mais viscoso que o diesel e, nesse estado, não é possível dar a partida.

Como diz o professor de Filosofia, Robson Macedo, Guedes é “gato escaldado” em viagens aventureiras:
— Já fui a todos os países da América do Sul, inclusive às cidades que visitaremos. O passeio em si já valeria a pena, porque as paisagens e a troca de experiência com povos irmãos são incríveis.

Berao acredita que a viagem servirá de motivação para os estudantes irem atrás dos seus sonhos:
— Queremos estimular o aluno que está desmotivado e não vê razões para se manter na escola a determinar uma meta para si e se esforçar para atingi-la. A ideia que queremos passar é: se os professores foram “ao fim do mundo” num carro tão antigo, eu consigo o que quero.

A diretora do colégio, Neide Aparecida de Souza, diz que admira os “três professores maluquinhos” e que está em busca de parceiros:
— O projeto mostra que o professor da rede pública também inova e é criativo. O efeito direto é o aumento da autoestima dos alunos. Já temos parceiros para doar os alimentos que eles vão levar. Estamos atrás de outros.
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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Projeto "Jornada da Estrela"

O projeto “Jornada da Estrela – Expedição Cone Sul” está fundamentado em dois grandes campos de investigação que se complementam: a cultura e o desenvolvimento sustentável. O grande desafio que o Brasil e a América Latina enfrentam é a pressão que o desenvolvimento exerce sobre as estruturas tradicionais, sejam sítios urbanos de valor cultural, sítios arqueológicos, assentamentos indígenas; sejam as populações tradicionais, seus conhecimentos e práticas.